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ANTHONY OLIVEIRA

18 de Dizembro, 2019

Entrevistador: Igor Neto Paz
Anthony Oliveira, 20 anos, Homem, Bisexual, Atendente numa Loja de Contrução,  Aluno de Administração na Senac

 
 

Igor Neto Paz: Bom para começar eu gostaria que tu falasses o teu nome a tua idade se tu estudas ou trabalhas e a tua sexualidade?


Anthony Oliveira: Meu nome é Anthony, eu tenho 20 anos estudo e trabalho e sou bissexual


INP: A primeira pergunta é qual tua relação com a cidade de Bagé?


AO: Eu nasci aqui, mas com 7 anos eu fui embora morar em Candiota e lá eu fiquei 7 anos voltei para cá com 14 desde os 14 eu tô morando aqui em Bagé onde a maior parte mora aqui e por algum motivo eu acho que é uma cidade boa.


INP: E como é teu contexto familiar?


AO: Bom a relação com uma família muito boa tipo eu nunca tive problemas com nenhum dos meus familiares sempre muito aberto para falar com ele qualquer assunto com qualquer um deles e é isso.


INP: E como foi o teu convívio escolar?


AO: Bom eu sou  filho de professora né então tipo eu sempre achei escola uma coisa maravilhosa porque minha mãe é tudo para mim e eu sempre vi ela como a professora, sempre achei a profissão dela um máximo  sabe então todos os professores para mim eram o máximo por causa da minha mãe Eu sempre tive muito respeito com as professoras e também sempre gostei muito de ir pro colégio .


INP: Como foi pra ti o processo de se assumir?


AO: Olha não foi muito fácil né porque meu pai é militar e sempre teve aquele negócio tipo de que militar é preconceituoso então eu tinha medo de falar não para minha mãe que a minha mãe sempre falou para mim que se a gente tivesse que contar  alguma coisa pra ela independente do que fosse era só chegar e contar um o meu já era uma pessoa um pouco mais fechada com a gente, com os meus irmãos também então era muito mais difícil falar para o meu pai tipo chegou um determinado tempo na minha vida que eu senti que eu tinha que falar sabe não foi fácil mas eu senti que tinha que falar com ele.


INP: E o que mudou depois disso?


AO: Nada, porque eles aceitaram muito de boa foi muito bom ajudou eu acho porque a minha mãe eu acho que o sonho dela era que o filho dela ficasse com meninos ou que fosse... ou que não fosse hetero entendeu a minha mãe é muito muito assim então. Acho que melhorou muito mais nos aproximamos muito mais, e aproximou muito mais dos meus familiares também dos meus pais então dos meus irmãos principalmente então foi maravilhoso.


INP: Como foi pros teus amigos?


AO: Tipo alguns meio que já desconfiavam de mim eu sempre fui afeminado eu escondia mas não dava não então para alguns foi muito mais fácil falar tipo o amigo que eu tenho vontade de ficar com meninos ai pra outros já foi mais difícil porque tem uns que tem então... tenho amigos héteros então pros heteros era mais difícil assim porque eu não sabia como é que eles iam receber essa informação. Mas enfim eu tive que contar e eles receberam isso muito e hoje em dia é muito melhor porque eu sinto que eu posso contar tudo.


INP: E quais figuras da cidade ou famosas que te inspiram?


AO: Ai não sei... cantores, pessoas que eu curto, atores tem muita gente assim que eu acho que me inspiram assim até pessoas simples assim não precisa uma pessoa extremamente famosa ou pessoas que tenham atitudes que eu acho que são parecidas com as minhas. Eu pego para mim. Entendeu? Esse tipo de gente…


INP: Tu percebes pessoas lgbts mais velhas no teu meio?


AO: Não eu acho que tipo de pessoa mais velha que eu que eu percebo, mas que não mora aqui em Bagé que é um Dindo do meu irmão que é uma pessoa maravilhosa, mas tipo eu não tenho muita convivência com pessoas mais velhas LGBT.


INP: Que faço existem na cidade para você explorar sua identidade sexual?


AO: Olha tem uma festa assim que eu quando eu me assumi eu comecei aí que a Blackout né eu acho que todo mundo já foi. Lá eu me sentia muito livre assim pra ser quem eu era, um sem julgamento... na minha casa também sempre fui assim muito livre sabe mas tipo com pessoas que eu não sabia eu era meio guardado assim mas nas festa e em casa agora então esses eram os lugares que eu me sentia mais à vontade.


INP: E quais são as estratégias de relacionamento?


AO: Olha não tem nenhuma sabe só vai sei lá eu acho que se a pessoa... eu acho que a pessoa interessante eu só invisto.


INP: Quais eram ou são os espaços onde as pessoas podem ter sexo?


AO: Olha eu acho que em festas porque muita gente transa em festa banheiro da praça... Aqui tem bastante né... e em casa.


INP: Como tu se aproxima das pessoas que tu tens interesse?


AO: Eu busco coisas que as pessoas gostam que sejam parecidas com coisas que eu gosto e eu acho que isso vai me aproximando da pessoa assim e é isso.


INP: Tu sentiste alguma transição ou mudança corporal depois que tu se assumiste?


AO: Olha eu comecei a... depois que eu me assumi é muito mais fácil para mim vestir do jeito que eu quero entendeu eu nunca tive um jeito certo de me vestir mas tipo quando eu não era assumido ainda eu buscava me vestir de maneira mais heteronormativa aí agora não eu só me visto  do jeito que eu acho que eu fico bonito e me soltei mais.


INP: Tu percebes preconceitos dentro da Comunidade lgbt?


AO: Tem bastante principalmente com as gays mesmo...como tem na comunidade lgbt tem em outros lugares, mas tem.


INP: Tu tens amigos lgbts?


AO: Tenho muitos né...


INP: E tu manteve o mesmo ciclo social depois de se assumir?


AO: Sim porque os meus amigos que sempre andaram comigo estão desde que eu era mais novo entendeu e tipo essas pessoas que andaram comigo ainda andam agora depois que eu me assumi eu tenho outros ciclos, ciclos maiores de pessoas porque eu conheci muita gente depois que eu me assumi por um lado assim e por outro lado conheci mais pessoas.


INP: Qual a importância dessas pessoas na tua personalidade?


AO: Sei lá... cada pessoa que anda comigo ou que conviveu comigo me ensina alguma coisa tipo sobre a comunidade então eu aprendi bastante sabe.


INP: Tu achas que Bagé tem uma comunidade LGBT?


AO: Eu acho... eu acho que tipo... bom mais ou menos porque depende assim algumas pessoas fazem algum movimento, mas tipo não é uma comunidade muito unida sabe, porque sempre tem aquelas rixas entre pessoas, mas tipo assim eu acho que tem você.


INP: Tu se percebes representado no contexto LGBT de Bagé?


AO: Não. porque eu não sei... não sei se eu me sinto representado aqui em Bagé aqui não tem tanta representatividade pessoal é mais recluso assim.

  

INP: E quais os tipos de resistência tu percebe enquanto membro da comunidade LGBT?


AO: Deixa-me pensar nessa....


INP: Tu achas que o Brasil tem mudado em questão LGBT?


AO: Eu acho que hoje em dia tem muito mais representatividade hoje por mais que tenha preconceito  as pessoas falam mais entendeu que o que incomoda elas entao de certa forma sim tipo se for parar para pensar  no começo da década não tinha tanta representatividade quando tem hoje então evoluiu um pouco sim.


INP: Tu achas que isso se aplica em Bagé?


AO: Bom Bagé tem que evoluir muito porque tipo não tem nada então eu acho que Bagé tem que evoluir bastante.


INP: Qual tua relação com a luta LGBT?


AO: Olha eu acho que tudo eu me acho no direito porque tipo qualquer pessoa que simplesmente oprime a outra pessoa que passa para mim são só pela pessoa eu acho que para mim já é revoltante principalmente na causa  LGBT Por que acontece bastante isso e para mim qualquer pessoa que oprime as minorias a gente tem que lutar contra isso Então...


INP: Motivos pelo qual esteja em Bagé, tens vontade de sair de Bagé?


AO: Eu tenho vontade de  conhecer novos lugares assim mas tipo eu gosto daqui por causa da minha família Eu acho que só isso me prende aqui real porque de resto  nada mais se eu não tivesse meus familiares e a boa convivência que eu tenho com todo mundo. Eu acho que eu não estaria morando aqui porque é uma cidade muito .... é tranquila, mas o pessoal daqui é muito preconceituoso.

INP: Sobre as paradas, tu foi?

AO: Eu acho... eu fui em duas sei lá é bom é bom esse tipo de movimento, encontrar várias pessoas e teus amigos tão lá entendeu então é bom eu acho que é importante muito importante principalmente para Bagé para entender que tem uma comunidade Grande, Só que eu acho que deveria acontecer mais vezes.


INP: Sobre o suporte de HIV/AIDS tu acha que ele funciona?


AO: Eu acho que não porque tipo muita gente nem sabe... sobre quais são os métodos preventivos então eu acho que devia ter mais informação sabe aqui em qualquer lugar assim nas escolas principalmente porque todo mundo vive esse meio. então acho que tem mas não é uma coisa que é divulgado entendeu não sabe não sabe como usar não sabe o que tem de graça então falta comunicação.

  

INP: Tu achas que chega nas comunidades esses suportes de saúde e as paradas?


AO: Eu acho que não porque tipo nesses locais tipo é  outro mundo as pessoas elas têm um mundo  delas assim só que eu acho que não e divulgado e se tu for para pra pensar maior parte das pessoas que moram nesses locais tem HIV  então eu acho que não é divulgado, não chega em tudo que é lugar por isso que eu ainda bato nessa tecla que tem que ser mais divulgado principalmente nas escolas.


INP: E como tu percebe o afeto aqui em Bagé?


AO: Eu acho que depende da pessoa também mas se tu for parar pra pensar as pessoas ainda tem muito medo de se relacionar mas eu acho que as pessoas deviam se abrir mais tem muita gente que ainda tem medo aqui em Bagé, conheço várias então acho que elas deveriam perder o medo... sei que não é fácil mas é uma cidade pequena.


INP: E sobre aplicativos já usou/usa, como tu vê?


AO: Já usei bastante, eu acho que a maneira de conhecer pessoas mas também são  aplicativos que a comunidade desses aplicativo são muito vazias sabe às vezes tu só quer conversar e as pessoas só querem sexo eu acho que... se tu está nesse aplicativo tem que entender que a maioria das pessoas ali só querem sexo só que acho que não é um local ali que seja pra... tu se descobrir mais.


INP: Como tu vê as nomenclaturas ativo e passivo isso se encaixa em algum contexto?


AO: Eu acho que faz parte... é uma maneira de guiar pessoas que são “iniciantes” isso na minha cabeça  quando tu conhece uma pessoa quando tá conhecendo uma pessoa normalmente pergunta se é ativo ou passivo e isso já te dá  mais ou menos uma entendimento de com quem tu esta lidando eu acho que funciona.


INP: Tu achas que existe uma correlação entre a identidade LGBT e a identidade gaúcha?


AO: Não... eu acho que não porque aqui no RS o gaúcho tem que ser macho... ai eu acho que não funciona eu acho que quem é da comunidade LGBT sabe que não tem como isso porque o pessoal principalmente... o pessoal que é muito “gaúcho” é muito preconceituoso então acho que não.